Se escrevo como quem atravessou
a própria noite é porque dela sou feita.
Na melancolia noturna do poema
compreendi que
certas ausências permanecem,
mas não me impedem
de continuar cantando -
mesmo a escuridão insone.
É que sei o que me habita:
o sentimento que me toma,
me faz leve, musical, afetiva -
e me torna autora
de minhas próprias pausas.
Não sou maestrina, mas sei
que a música precisa de silêncios
para encontrar o ritmo.
Por isso tomo de meu violino
e faço a prosa e o verso -
desenho na partitura
minha própria travessia.
E em meio à lucidez da solidão
toco minhas sonatas -
permeadas de sonhos e sombras.