Se houvesse como arrancar o tempo perdido e seguir o vento quebrando o vidro da ampulheta. Falo de sobrevivência e sensibilidade - de saber que nem toda alma suporta o todo do papel numa vez só. A minha se revela em frestas, em rasgos e beiradas - aos solavancos, sopetões. Por isso, não evito profundidades. Mergulho fundo nelas. De seus abismos é que sou feita. E de meus canyons interiores libero a alma silente, o sopro das angústias e do medo, a dor de me tornarem inalcançável, intocável, impossível de conquistar. Por isso, guardo em mim a fúria das coisas não vividas...