A alma atravessa
uma hora interior
de sombras e silêncios,
como alguém
caminhando há séculos
dentro do próprio espírito.
Banha-se
no sopro das angústias
e do medo,
como quem se deixa tocar
pelo orvalho
de uma noite de verão.
Porque,
depois de tantas estradas,
sei:
o amor não é infinito
no tempo concreto.
A vida perece.
Por isso,
os instantes importam.
O olhar precisa acontecer
enquanto ainda há presença.