Há uma serenidade na música que toca.
Uma paz que adentra a alma
e enche o espírito de um sentimento inexplicável.
Como se a melodia fosse eu
e o amor já não vivesse em incêndio absoluto.
Mas se revestisse da contemplação da distância -
essa distância que dói, mas que ainda aquece.
Porque reconhece que o sentido não vem pronto.
Nós o costuramos nas escolhas, nas esperas, nos afetos,
no modo como atravessamos os dias.
Nas brumas e mares, nos pergaminhos do tempo,
na palavra escrita, na palavra falada, nos silêncios.
Somos como as espumas que lambem a areia da praia.
Instáveis, efêmeros, quase marítimos:
existimos, brilhamos, tocamos e desaparecemos...
como desaparecem os próprios instantes da vida...