Maria
Prosa e Poesia
Capa Textos E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato
Textos

Uma Mulher Contemplando o Mar

Sim. Não há mais uma mulher tentando convencer o amor a acontecer. Não há mais uma mulher discutindo a impossibilidade. Não há mais a mulher tentando arrancar uma resposta do destino. Há uma mulher contemplando o Mar. Amando o Mar com gratidão por este sentimento. Não a gratidão das coisas realizadas, mas a gratidão que reconhece que algo foi importante mesmo sem ter se tornado aquilo que sonhamos. O amor verdadeiro nem sempre produz uma vida compartilhada, uma escolha concreta, um futuro comum como eu tanto sonhei. A experiência humana é muito mais estranha do que isso. Há encontros breves que desaparecem sem deixar vestígio. E há presenças que permanecem décadas ou eternidades dentro da alma. E dentro dela promovem transformação. Agora eu sei. Hoje - na dor - eu aprendi: o Mar nunca pertence a quem o contempla. Mas a quem ele escolhe para si e leva para dentro de sua "casa", para dentro de si. No entanto, isso não significa que não toque profundamente quem fica horas olhando suas águas. Talvez seja justamente o contrário. As coisas mais vastas da vida não podem ser possuídas. Apenas encontradas. Antes eu perguntava: por que ele não me escolheu? Agora quero perguntar: o que este encontro fez em mim (não sei se posso perguntar "em nós")? A resposta está centrada no significado. Isso não apaga a dor. Nem pode. Porque o corpo continua desejando, as mãos também. A vida concreta também deseja, clama. Mas, também reconhece que houve algo que existiu para além disso. Algo que sobreviveu às escolhas porque há experiências humanas que, uma vez vividas - mesmo que no plano espiritual, cósmico -, tornam-se parte da arquitetura da alma. Não importa o tempo, a distância, as escolhas, as ausências. Elas permanecem. Não como prisão, mas como geografia interior. Talvez seja isso que a serenidade da música esteja me fazendo compreender. Nem tudo o que é eterno precisa ser vivido lado a lado. Algumas coisas permanecem porque modificaram para sempre a forma como vemos e vivemos no mundo. Eu não o perdi - nós nos encontramos. Meu olhar não vê mais a ausência - reconhece a transformação. Fui transformada pelo Amor. Isso me permite viver e morrer na paz e serenidade de quem realizou o profundo desejo de amar e ser amada. 

Maria
Enviado por Maria em 30/05/2026
Alterado em 30/05/2026
Comentários