Maria
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Textos

Há dias e há dias

Há dias e há dias!

Há dias de pisar escombros e ruínas.

Dias de mergulhar no Caos.

Há dias de ferrugem e traças,

dias de espadas e lâminas afiadas e desafiadoras.

 

Olhamos ao redor

e tudo se decompõem a passos lentos.

Os olhos se fixam nas coisas mortas

e apodrecidas pelo tempo.

A alma se assusta com tanta dor

e com as perdas que deixaram chagas e feridas

que até hoje se encontram abertas.

 

A vida é efêmera e é nesse intervalo

entre o nascer e o morrer

que reside o mistério.

 

Por isso, olhe para o que ainda não viu.

Olhe para aquilo que os teus olhos não veem

assim, assim, em meio ao caos do dia.

 

Pare para olhar -

como se olha os pássaros

no guarda-rail da vida.

Fixe o olhar na beleza

deste momento de serenidade.

 

Firme o olhar no que não está posto,

no que ainda pode ser desenhado,

mudado por tuas próprias mãos.

 

Olhe para a parte mais alta da montanha,

para onde os olhos geralmente não olham.

Para a névoa que encobre seus picos e esconde

o que só pode ser visto de bem perto.

 

- Olhe!

- Estou olhando!.

- Estás vendo?

 

É lá que que se encontra o enigma,

escondido entre o nevoeiro que te aflige,

que te assusta, que te causa medo.

É lá na névoa pura e densa que reside -

entre pedras e cardos iguais aos teus -

uma singela, mas forte e resistente,

Flor de Amor!

Maria
Enviado por Maria em 06/06/2026
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