Há dias e há dias!
Há dias de pisar escombros e ruínas.
Dias de mergulhar no Caos.
Há dias de ferrugem e traças,
dias de espadas e lâminas afiadas e desafiadoras.
Olhamos ao redor
e tudo se decompõem a passos lentos.
Os olhos se fixam nas coisas mortas
e apodrecidas pelo tempo.
A alma se assusta com tanta dor
e com as perdas que deixaram chagas e feridas
que até hoje se encontram abertas.
A vida é efêmera e é nesse intervalo
entre o nascer e o morrer
que reside o mistério.
Por isso, olhe para o que ainda não viu.
Olhe para aquilo que os teus olhos não veem
assim, assim, em meio ao caos do dia.
Pare para olhar -
como se olha os pássaros
no guarda-rail da vida.
Fixe o olhar na beleza
deste momento de serenidade.
Firme o olhar no que não está posto,
no que ainda pode ser desenhado,
mudado por tuas próprias mãos.
Olhe para a parte mais alta da montanha,
para onde os olhos geralmente não olham.
Para a névoa que encobre seus picos e esconde
o que só pode ser visto de bem perto.
- Olhe!
- Estou olhando!.
- Estás vendo?
É lá que que se encontra o enigma,
escondido entre o nevoeiro que te aflige,
que te assusta, que te causa medo.
É lá na névoa pura e densa que reside -
entre pedras e cardos iguais aos teus -
uma singela, mas forte e resistente,
Flor de Amor!