Como fui acreditar que o jardineiro estava se preparando para colher os botões da rosa? Como fui sonhar novamente que havia uma possibilidade, uma única que fosse, de um encontro cósmico e perene entre o Sol e a Lua? Um eclipse eterno? Como fui acreditar? Que o Sol virou Lua e a Lua virou Sol? Como? E ao meio-dia dos séculos dos séculos descobri que o que vivi, eu não vivi. Ou seja, todo o vivido nestes 4 anos nunca existiu. Foi apenas imaginação. E de fato é. Só vejo os meus olhos no espelho. E agora sei que não pertenço, que não sou [...] e que não tenho [...]. Então agora eu sei. Estou sozinha nesta estrada... Livre e Só para navegar no poente melancólico, me entregar ao andor do tempo, à floresta aleatória dos sem sentido, onde a "mágica" se cala, o milagre não acontece e o sonho se transforma em vazio e peso sobre a mola de viver. Onde a mágica dos últimos dias? Onde tudo que foi falado, dito, escrito, entregue pelos poros da alma, pelos fio que imaginei unir, pelos olhos de amor, a voz que sussurrou o coração e o entregou inteiro e completo? Onde? Vejo o que restou: eu, pétala sem atributos - mesmo dona da magia das palavras - dançando perdida no tapete de folhas mortas, sem mais a tessitura do sonho, sem mais a percepton multicolorida da alma que se expandia em luzes de amor e paixão nas sombras interiores de meus canyons profundos. A voz que falava e sussurrava eternidades e promessas debaixo das cobertas de minha solitária caverna do tempo. Vejo, mais uma vez, que não conheço os segredos e mistérios, nem os meandros da dor suficientemente. Ainda há muito que chorar e sofrer... Ainda há uma eternidade para muito chorar... e muito pelo que chorar... Sim. Sou a "certeza improvável" que está viva e existe em algum lugar do mundo e fita algum céu que não existe mais...