Quando conseguimos perceber as escolhas do coração - mesmo em detrimento das escolhas da razão - somos alcançados por aquela condição humana de sermos alcançados por algo que não controlamos. É assim que o amor chega. Não pede licença. Não consulta a razão. Apenas ocupa um lugar. E caminhamos como se pisássemos outra dimensão, como se agora fizéssemos parte de outro mundo, de outra galáxia. Olhamos ao redor e percebemos que aquilo que já está claro para nós o mundo ainda não viu - e nem precisa. E nos deparamos com essa estranha indiferença do mundo diante das nossas revoluções interiores. Mas em nós tudo se revolve, tudo se transforma, tudo mudou. O coração pode estar em ruínas pelas feridas e dores do passado, pelas do presente, mas o sol nasce dentro de nós. As pessoas seguem seus caminhos. As horas continuam passando. Mas dentro de nós tudo mudou, a vida se iluminou. E constatamos que tudo aquilo (muros erguidos, paredões) que construímos ao longo do tempo para nos proteger se torna inútil.
Poema para Maria:
Restam apenas os olhos.
Os teus procurando os meus.
Os meus - diuturna
e desesperadamente -
procurando os teus.
Os meus confessando aquilo
que os lábios
jamais tiveram coragem
de dizer: com toda força do meu ser,
eu amo, eu amo, eu amo -
apaixonadamente, você!
E então compreendo que certos amores não precisam de voz. Porque aprenderam a morar no silêncio. E é justamente por isso que permanecem para sempre. Você permaneceu e ficará para sempre: o Segredo eterno mais puro e belo - a escolha perfeita do meu Coração.
De um coração que te ama para além da razão e do mundo e guarda esse amor com cuidado no relicário do peito - onde a traça e nem a ferrugem corroem. Ali onde permanecerá para sempre - para a eternidade de luzes.