Maria
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Textos

Sem permissão para o voo

Sim, um simples "oi", um olhar de sorriso na nossa direção ilumina a noite e enche o coração de fervuras e incandescências. Há um certo conforto no encontro: um consolo, mesmo o passo largo e fugidio. Nos encontramos sob as mesmas telhas, respiramos, por um segundo, o mesmo ar. E os passos vão e o olhar saudoso e triste estica ao seu passar. E a noite se veste de olhar o pássaro imperador se distanciando ao longe, os pés subindo asas e desaparecendo como as curvas do corrimão... Logo irá voar, asas abertas para outros planos - dos quais não me é permitido voar... Respiro fundo e a aragem preenche os pulmões. Ao mesmo tempo uma lágrima beira o canto dos olhos. Existem caminhos que só pode fazer quem tem asas e permissão para o voo. Não estou habilitada. Ouvi: não me pertences, não te pertenço mais. E o voo é feito de entrelinhas e histórias escondidas. E eu - sem habilitação para as viver - habito o corredor da noite, errante, sozinha, olhar tristonho - sussurrando canções e acreditando ainda existir um horizonte, um cais... 

Maria
Enviado por Maria em 08/06/2026
Alterado em 08/06/2026
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