Sigo o olhar aleatório para a descida sagrada:
pássaros negros descem a escada,
a liturgia semanal em procissão.
A Luz - de farol baixo para não me ver - faz a direção mudar.
Fico sem chão, quieta, triste, olhar vazio, perdido no ar.
Sigo o olhar pra além do poente melancólico da noite.
Procuro um poema que fale de amor. Um poema a me falar.
Que tenha ramos de rosas apregoados de sonhos e botões.
Espero... espero, aguardo, espero... estou sempre aqui - à esperar...
Aprendo? O xadrez da vida não dá asas para quem sonha -
joga as peças para mãos que as podem e sabem jogar.
Olho as mãos do juiz batendo o relógio e o tempo. Normal?
Quantos milênios ainda faltam para o apito final?
As incógnitas sobranceiam as horas infindas da noite triste.
Sigo o olhar para escada vazia e o silêncio dos que juntinhos partiram.
Procuro um poema que me fale de amor.
Me visto de palavras e hoje sei:
meu sonho dança com meu próprio poema...
e, enquanto o mundo fica vazio de horizontes,
o sonho se guarda num íntimo e escuro relicário interior.