Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Danço sozinha com o poema

Sigo o olhar aleatório para a descida sagrada:

pássaros negros descem a escada,

a liturgia semanal em procissão.

A Luz - de farol baixo para não me ver - faz a direção mudar.

Fico sem chão, quieta, triste, olhar vazio, perdido no ar.

 

Sigo o olhar pra além do poente melancólico da noite.

Procuro um poema que fale de amor. Um poema a me falar.

Que tenha ramos de rosas apregoados de sonhos e botões.

Espero... espero, aguardo, espero... estou sempre aqui - à esperar...

 

Aprendo? O xadrez da vida não dá asas para quem sonha -

joga as peças para mãos que as podem e sabem jogar.

Olho as mãos do juiz batendo o relógio e o tempo. Normal?

Quantos milênios ainda faltam para o apito final?

 

As incógnitas sobranceiam as horas infindas da noite triste.

Sigo o olhar para escada vazia e o silêncio dos que juntinhos partiram.

Procuro um poema que me fale de amor.

Me visto de palavras e hoje sei:

meu sonho dança com meu próprio poema...

e, enquanto o mundo fica vazio de horizontes,

o sonho se guarda num íntimo e escuro relicário interior.

Maria
Enviado por Maria em 08/06/2026
Alterado em 08/06/2026
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