Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Toque um riff antigo

Peço que o mundo toque para mim

um riff antigo numa guitarra triste.

Que toque um oboé 

nas teclas de um piano clássico,

daqueles que a gente nunca esquece.

 

Peço que o mundo não se demore

como se demora o Mar.

Peço a música para me salvar

de não chorar de alegria -

como não chora a Poetisa

que na tristeza já se calou...

 

Escrevo no silêncio da hora vazia,

na quietude monástica

das pedras e dos madrigais.

A noite fria lacrimeja estrelas

e seus cristais se cravam na garganta seca.

Por isso, não posso rir do que choro,

nem tocar ou cantar

uma poesia de um Poeta distante.

 

Não se demore à vir para tocar...

Peço a música do Imperador -

aquela que vai me salvar de chorar.

 

Venha e toque para mim.

Traga um violoncelo,

uma selesta pronta na partitura,

uma concertina que me olhe do palco...

Me rasgue por dentro

com o grito absurdo e dolorido

de um trombone na noite escura...

 

Vem! Não se demore.

Venha para que a poesia

não se parta de mim.

Não se demore,

como se demora o Mar.

Venha junto com a noite

antes que ela se feche

em sombras infinitas.

 

Toque, toque para mim.

Toque para mim

um silêncio profundo...

E ouça meu violino...

que - distante e triste - 

chora...

na noite...

escura

e sozinha...

Maria
Enviado por Maria em 10/06/2026
Alterado em 10/06/2026
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