Peço que o mundo toque para mim
um riff antigo numa guitarra triste.
Que toque um oboé
nas teclas de um piano clássico,
daqueles que a gente nunca esquece.
Peço que o mundo não se demore
como se demora o Mar.
Peço a música para me salvar
de não chorar de alegria -
como não chora a Poetisa
que na tristeza já se calou...
Escrevo no silêncio da hora vazia,
na quietude monástica
das pedras e dos madrigais.
A noite fria lacrimeja estrelas
e seus cristais se cravam na garganta seca.
Por isso, não posso rir do que choro,
nem tocar ou cantar
uma poesia de um Poeta distante.
Não se demore à vir para tocar...
Peço a música do Imperador -
aquela que vai me salvar de chorar.
Venha e toque para mim.
Traga um violoncelo,
uma selesta pronta na partitura,
uma concertina que me olhe do palco...
Me rasgue por dentro
com o grito absurdo e dolorido
de um trombone na noite escura...
Vem! Não se demore.
Venha para que a poesia
não se parta de mim.
Não se demore,
como se demora o Mar.
Venha junto com a noite
antes que ela se feche
em sombras infinitas.
Toque, toque para mim.
Toque para mim
um silêncio profundo...
E ouça meu violino...
que - distante e triste -
chora...
na noite...
escura
e sozinha...