Maria
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Textos

Outono de Maria

 

Não tenho um lugar na mesa de pensamentos.

Não sou a xícara da vez para tomar chá - nem chá eu sou.

Penso que nunca serei.

Não recebo olhares íntimos, queridos e orgulhosos,

nem sou fotografada para o mundo ver.

 

Sou um velho trapo de pano

para limpar a poeira do teclado e do óculos -

talvez a mesma que não me permite ser vista -,

guardada entre as teclas e os dedos.

 

Desvendo enigmas, conheço a realidade (verdade)

e, hoje sei, que não encontro mais lugar

num mundo que um dia fiz parte.

 

Sou aquela que se perdeu ou foi propositalmente "perdida",

a que possuía a magia de fazer o mundo viver sua melhor versão,

mas que agora leu em decreto público

que este mundo não lhe pertence

e nem ela a ele pertence mais.

 

E Ele me disse que somos...

duas Ilhas distanciadas pela Vida,

duas galáxias que já haviam se encontrado,

mas que a Vida outra vez separou.

 

Talvez eu seja e talvez logo não exista mais...

E, talvez, talvez eu ainda não saiba,

mas para o Mundo eu seja assim, assim...

como as estrelas que morrem e sua luz permanece -

talvez já nem seja mais Eu no Mundo -

mas seja apenas minha Luz que sobrevive nele.

 

O tempo passou.

Meu Outono chegou.

Desejo que quando o Outono passar

e o tempo se tornar amarelecido

eu seja pelo menos uma pequena flor -

guardada no relicário do peito -

miúda, querida, escondida, secreta Flor!

Maria
Enviado por Maria em 11/06/2026
Alterado em 11/06/2026
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