Maria
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Textos

Se há silêncio...

Não sei esconder o tato, cobrir de silêncios o olhar. Nem mesmo sei apagar a luz que fogueia saudades. Se há silêncio, há vida, me disse um velho carpinteiro de palavras. Se há silêncio, há feridas, digo eu em meio às saudades do que nunca tive. Aprendi que não sou feita de pedras como aquelas belas estátuas cobertas de véu que as mãos dos Poetas cinzelaram no passado. Também não sei rolar milagres pelos segundos do tempo - queria vivê-los. Mas, a ampulheta de minha vida continua a descer areias e ininterruptamente sela minhas horas no mundo. Não sou fruta da pedra dura, nem argila ou pó da transpiração do artista - sou uma simples flor perdida e escondida no secreto de algum coração de amor. Não sangreio caminhos pelos corredores de portas fechadas, nem me escondo atrás dos carros ou fujo pelos umbrais dos prédios em caravanas de procissões diárias. Carrego túneis e cavernas em meus pra dentro e neles prossigo ao encontro de um último abraço de Luz. Sou flor da montanha... tão quieta e calada que eu mesmo me surpreendo com meu grito interior. Tenho a idade das rochas que se rebatem na placidez dos dias e sinto o vento acariciar meu rosto de gomos de angústias e saudades que se calam como agora se cala o poema... nos lábios bentos e trêmulos... de uma mulher de amor!

Maria
Enviado por Maria em 11/06/2026
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