É que deixo a alma navegar em palavras antigas. Piso fundo para mergulhar profundezas e me perder lá onde as despedidas não sobrevivem e o coração ainda acredita no sonho - o coração não conhece desistências. Não sou o perfil de mulher para desfilar ou descer escadas ao lado do sol, ser por sua luz beijada ou abraçada, mas guardo no peito o que há de mais precioso e mais procurado no universo de luz: o amor verdadeiro e puro. Sigo a vida entregando meus pra dentro em cada poesia. Quando me calo é porque mais falo e se choro me faltam palavras do que está no coração dizer. Sou a moldura querida do peito, o eco de um coração que ama e sabe o que é o amor. Consigo ler o tempo e quando vierem os dias vem tempo onde tudo será pedra sobre pedra e a vida se perderá aos poucos pelo túnel que separa um lado do outro de nossa velha ampulheta do tempo. Na dor da perda que virá para quem não partir, ficarão lembranças e pó sobre pó na ardósia da vida... E quando o silêncio crescer na noite escura e sozinha o pó das lembranças será a lágrima dorida de quem ficou pelo que nunca se buscou, pelo que nunca se teve, nunca se acreditou. Eu? Deixo a alma navegar em palavras antigas. Piso fundo para mergulhar profundezas e me perder lá onde as despedidas não sobrevivem e o coração ainda acredita no sonho - onde o meu coração não conhece desistências.