Talvez os pensamentos
sejam presenças autônomas
criando um mundo fora de mim.
Eu, ave noturna,
sombra num campanário
em busca de sentido.
Não, não há luta contra a melancolia.
Há reconhecimento de sua existência
no tablado das horas sozinhas.
A alma escuta os pensamentos
e encontra beleza também
em territórios difíceis.
Não a beleza de seda das pétalas,
mas a força e a resistência dos caules...
Mesmo não sabendo para onde vou,
sinto a ausência, procuro o sentido:
como um pequeno sino ressoando na neblina...