Pise fundo em meus olhos.
Acelere o passo!
O amor é a poesia
antes das palavras.
Então fixe no meu olhar!
Ele fala pelas entranhas
de meus pra dentro.
Há um canto doce e meigo,
mas também uma febre ardendo
nas pupilas de nuvens.
Há abrigo e tempestade.
Doçura e febre.
Nuvem e ardor.
Tudo é forte,
mas nada se desfaz.
Tudo arde,
mas tudo continua de pé.
Tudo se dissolve
em lágrimas,
mas tudo se eterniza
e transcende
na "estranha luz".
É o mais humano
em mim,
cyborg pela vida.
Mas não esqueça:
aquilo que acolhe
também pode ferir.
Pise fundo
nas solidezes
e fragilidades
de meus olhos!
Acelere o passo!
Não se demore!
Há uma dor
que chove letarga
em minha íris.
Que dói como silêncio antigo.
Carregando ausências
tão sentidas.
Às vezes os olhos
se apagam
e tudo escurece.
Mas só um olhar sensível
pode ver.
Esses...
que me salvam.
Pise fundo em meus olhos.
Não passe por mim
superficialmente.
Me atravesse por inteiro.
Acelere o passo!
O amor é a poesia
antes das palavras.
E ele mora em meus olhos.