Também arrasto meus fantasmas
pelo rés do chão.
Nas asas o peso do não voar...
Nos olhos, janelas abertas
para ver a chuva passar...
Às vezes, às vezes chove
em meus pra dentro...
Em meus oceanos navegáveis...
No apagar sereno do tempo
um Sol Maior me expõe
em meus abismos e céus...
em minhas estiagens e necessidades
ou na secura dos galhos e das folhas...
São minhas pequenas misérias -
e as minhas pequenas vitórias -
que me jogam nua ao alto-mar.
Meu canto de solidão e amor nasce ali...
nas asas pesadas... no rés do chão...
por isso, também preciso
retirar dos olhos as folhas mortas...
Buscar de um tudo o Mar...
meu oceano navegável...
Para amainar a dor do não voar
e apagar as ausências do meu olhar.