Sigo, tangendo poemas
em meu velho violino,
o Amor na palma da mão.
Se me inclino
aos lampejos antigos das estrelas
é porque me falta alimento
para o espírito versar.
Por isso, me calo.
Falo, me calo.
Me calo!
Como um Poeta
do subsolo
se calou para o Amor.
Mas, enquanto o dia não vem,
sigo, tangendo poemas
em meu velho violino do tempo.
E o tempo de névoa e frio
no horizonte me diz
que todos os dias
há novos anoiteceres
e se eu morrer num deles
partirei como a dor de Llitch -
acesa em chamas -
que um coração de amor
jamais logrou extinguir.