Talvez também tenha olhos de cimento
que giram sombras nas palavras ditas
em um tempo que não mais volta
e que silenciou em ti o que não houve
- meu poema crivado de saudades -
na quietude fria do concreto.
Se teus passos se vestem
de belas e amorenadas Flores
suavizando dores, ruas, asfalto,
tocando as pedras
de paralelepípedos infindos,
- em teu correr ou
andar cambaleante
de nossos infinitos
que em ti adormecem -
sabes que me encontras
sempre debruçada
por sobre o abismo de poemas
em teus versos triscados de céu
inundados de néctar dos eternos
- também de dores e tristezas -
na terra pura e fértil
de um recanto de letras.
Estou sempre ali -
angustiada e ansiosa -
buscando palavras
que me falem de Amor.