Talvez hoje seja eu a balbuciar saúde, sem versos e molduras de beleza. Viver é dádiva diária e - ainda - permitido à um coração ciborgado pelo tempo. Enquanto Flor que respira, tomo o poema em minhas mãos e navego em suas águas quentes e profundas. Rascunho linhas na madrugada de fadigas e insônias. Queria lhe falar, assim, assim: dançar com as palavras para que lhe alcançassem a alma e se enrolassem ao coração como manto sagrado em amor. Mas me falta a beleza e a candura de criar palavras em meio ao caos do tanto a se fazer. Em sussurros, inaudíveis, sopro o carício do amor por meus olhos e teço versos de saudades neste velho pergaminho do tempo. Floresço - para que o infinito nunca se finde.