Não sei se há na escuridão,
na chuva ou no nevoeiro
mais coisas do que se pode pensar haver...
Passo ao largo
das comodidades do tempo
e atravesso a vida
como se o ontem
fosse o daqui a pouco...
Se me confundo nas horas
a quem importa?
Não tenho calendário de bolso
e nem sei olhar
os anúncios meteorológicos
nos vitrais da parede.
E nem sei se quero.
Sempre me deram
por alienada do tempo.
Nunca por isso me revoltei...
por que agora iria me estranhar?
Talvez seja puro acaso, talvez não...
Talvez seja coincidência, talvez não...
que fazer? Sigo ao largo
das comodidades do tempo
e atravesso silenciosamente a vida,
como se o ontem fosse o daqui a pouco...