Quero sentir minhas próprias palavras,
como sinto a noite bela e negra
arranhando minhas entranhas.
Guardo essa chama alada dentro do peito
como o universo guarda o canto das estações.
Minhas inquietudes, meus desassossegos
são o prelúdio insólito do inverno de nossas vidas.
E que ele não chegue antes de vivermos o sonho.
Quero sentir minhas próprias palavras,
como sinto a noite bela e negra
arranhando minhas entranhas.
Por isso, adormeço os meus versos
e bebo a água das palavras não escritas.
Aquelas que carrego no alforge dos dias adversos,
antes que chegue o inverno de nossas vidas.