Abro o dia em silêncio
de meditação.
Um prefácio para a alma
em intensa ebulição.
Contrastes da vida,
quando uma mão que se retira
ainda tem tanto peso,
que um gesto interrompido no ar
gera uma dor que destrói.
Compreendo, agora,
o olhar perdido em tristeza
diante o gesto interrompido no ar.
Diáfanos olhos verdes,
o peito verte água
pelos cantos da alma.
E as velhas pálpebras,
sempre raiadas de luzes,
vão se calando aos poucos -
como um sol
que se põe devagarinho
num horizonte triste
e enevoado de brumas.