Caminho em meus canyons interiores.
Minhas xícaras são sempre canyons profundos
que derramam a calda da alma, de vez em quando,
em um poema translúcido de sentidos.
Mergulho nelas como num lago
entre as montanhas nevadas de estações.
Me calo diante do gelo ao meu redor.
É que não sei interpretar ruídos e abismos -
só conheço os meus.
Sei que em mim se calam vozes
e se abrem porões escondidos do mundo -
os subterrâneos de águas que descem cachoeiras
e cacos de palavras pelos olhos.
Sigo.
O amor cresce
e estruturas estremece.
Espera.
Quem sabe um dia um Sol
tomará minhas mãos entre as suas,
olho no olho, esbanjando um olhar de sorriso
num apaixonado, quente beijo de amor.