Vago solitária pelo silêncio da alma. Não sei se ainda há olhos à minha espera. Os anúncios de primeira página estampam nomes para justificar aquilo que já não precisa de explicação: a mão que se retira continua presente. E o meu mundo cai feito um meteoro vindo de um céu que talvez nem exista mais. Como posso saber se o céu não sou eu? Não tenho medo do amanhã. Conheço o meu valor e sei que se tiver de seguir sozinha caminharei como sempre o fiz. Não sou sou eu quem perde - não se pode perder o que nunca se teve (eu não te pertenço, você não me pertence - disse a Montanha à pequena Flor do campo). Mas sei que minha ausência poderá habitar a memória de alguém... Talvez esse alguém descubra - tarde - o valor da minha presença. Olho ao redor e só ouço o barulho da cidade e o silêncio sepulcral dentro do peito. Vago solitária pelo silêncio da alma. Não sei se ainda há olhos à minha espera. Os anúncios de primeira página dizem que a mão que se retira continua muito presente.