Rascunho a vida cunhada de dores e lágrimas. O dia seco e sem horizontes calou-se com o sol que caminhou de mãos dadas com fontes e nomes pra dentro da noite escura. Achei que tinha uma história na minha vida, mas tenho uma vida na história que está muito mais perto de seu fim do que de seu início. Não há mais tempo. A areia da ampulheta esvaiu-se e aquietou-se no mundo diante dos meus olhos. Que venha a insônia, o breu e o medo que já é premente. Pensava que não estava só, pensava ter alguém com quem fazer partilha do sentimento, da dor e do medo. Mas descobri - tarde - que "não pertenço a ninguém" e "alguém não me pertence". E diz ele: "o sentimento é bem-vindo nesta equívoca partilha", mas eu, as dores, o medo e a morte ninguém quer saber. É o Dedo de Agulha da vida que vai ferindo de espinhos a Flor que ousou sonhar com o Sol e o céu todo néctar e colibri.