Também não consigo compreender o tempo,
o porvir ou o não porvir.
Apenas sigo.
Cada dia, um passo.
Olhos fitos no vazio
ou no horizonte.
Um dia acreditei com todas as forças.
Plumei por ele.
Lutei.
Árdua e estabanadamente.
À fórceps,
tentei adentrar o Paraíso,
o Céu,
o centro do Sol.
Expulsa,
vago solitária
pelo espaço sideral de meus pra dentro.
Ali me procuro.
Ali me encontro.
Ali me acho.
E sigo.
Cada dia, um passo.
Olhos fitos no vazio,
na chuva que cai sobre as asas do Sol,
na tristeza e na dor que nunca saram,
no medo que se agiganta
nas pupilas de poço.
É.
Sim.
Entendo.
Também não consigo compreender
o tempo,
o porvir
ou o não porvir.