Maria
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Textos

Debulho do Tempo

Não há respostas

para as perguntas mais básicas.

Nada tem lógica

(a lógica não resolve)

e no entanto tudo diz:

o perfil fala por si.

Talvez seja ele a resposta

que não quero ver.

 

A pergunta inquiri, fere.

Está lá.

Não desgruda do papel em branco,

como fosse amarrada,

pregada em si -

criada para não calar.

 

E eu sigo debulhando o tempo,

tentando segurar à fórceps

a areia que dispara

de um lado à outro

de minha ampulheta do tempo.

 

Os dedos sangram.

As mãos doem.

E um cansaço ancestral

se agiganta nas pupilas da alma.

Maria
Enviado por Maria em 22/07/2026
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