Não há respostas
para as perguntas mais básicas.
Nada tem lógica
(a lógica não resolve)
e no entanto tudo diz:
o perfil fala por si.
Talvez seja ele a resposta
que não quero ver.
A pergunta inquiri, fere.
Está lá.
Não desgruda do papel em branco,
como fosse amarrada,
pregada em si -
criada para não calar.
E eu sigo debulhando o tempo,
tentando segurar à fórceps
a areia que dispara
de um lado à outro
de minha ampulheta do tempo.
Os dedos sangram.
As mãos doem.
E um cansaço ancestral
se agiganta nas pupilas da alma.