Não creio ser possível organizar o passado. Acredito em seguir em frente apesar do caos que ficou pra trás. E disso posso falar. Disso vivi - ou sobrevivi (ao Caos). Não, nunca houve ausência de caminhada. Sempre fui movimento. Fui eu quem sonhou com o amor numa rampa de água - nasceu ali a primeira pergunta sobre de quem era o rosto antigo escondido atrás de um pássaro de silêncio. Fui eu quem escreveu o nome verdadeiro no fundo azul de um quadro sobre uma foto na parede da janela do tempo profundo. E, fui eu quem entrou numa nave espacial e voou três andares do tempo até o céu para o abraço e o soluço de amor - mas também para o incômodo da interrupção de uma conversa muito pesada. Também fui eu quem sentou na mesa em frente e abriu o que habitava dentro o coração de amor. Não, nunca houve ausência de caminhada. Sempre fui movimento. No entanto, mesmo assim, permaneci e fui deixada por quem partiu sem me levar...