Também escolho viver nas bordas
e nas beiradas do mundo.
É lá que o silêncio
ganha dimensão existencial.
Como me disse o Aedo:
"um dia aprendemos a falar;
noutro, necessariamente, a calar".
Ainda me encontro nesse aprendizado.
O silêncio dos meus olhos nunca se cala,
mas a boca já aprendeu
a sustentar pausas para sobreviver.
Se quiseres me ouvir,
não faças perguntas: fita-me.
Os olhos falam na ausência das palavras -
às vezes, desabando cachoeira abaixo.