Maria
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Textos

Cachoeira Abaixo

Também escolho viver nas bordas

e nas beiradas do mundo.

É lá que o silêncio

ganha dimensão existencial.

 

Como me disse o Aedo:

"um dia aprendemos a falar;

noutro, necessariamente, a calar".

Ainda me encontro nesse aprendizado.

 

O silêncio dos meus olhos nunca se cala,

mas a boca já aprendeu

a sustentar pausas para sobreviver.

 

Se quiseres me ouvir,

não faças perguntas: fita-me.

Os olhos falam na ausência das palavras -

às vezes, desabando cachoeira abaixo.

Maria
Enviado por Maria em 26/07/2026
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