Não posso falar de um tempo
que ainda não aconteceu.
Falo do tempo vivido.
Do tempo em que perambulei
pelos anos e canyons da vida.
Digo do tempo do tempo
que contabiliza calendários,
mas também do tempo
que não pode ser medido
pelo eterno balouçar
do Pêndulo de Foucault.
Por isso, eu sei:
também não são os relógios
na tela da tecnologia
que me dizem quem eu sou
e o tempo que eu tenho.
São as travessias que faço
para estar em algum lugar
ou em lugar nenhum.
Olho a paisagem -
ela continua mudando,
como o crepúsculo,
o vento, a flor ou o Mar.
É nessas transformações
que nossas almas um dia
- acredito - poderão...
se (re)encontrar.