Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Limiar do Tempo

É a pergunta diária diante os anos e anos de espera:

como posso continuar vivendo

sem fechar as frestas do coração?

Como não endurecê-lo?

Talvez seja justamente no limiar

entre o eu e a condição humana que vivo:

sobreviver, fazer pausas, continuar caminhando

e manter aberta uma pequena fresta

para aquilo que ainda pode surpreender.

Nesse limiar entre

ter e não ter;

pertencer e não pertencer;

sentir e não tocar;

viver e não viver.

Intenso isso.

Tão profundamente íntimo.

Talvez filosófico.

Mas, sobretudo, tão, tão em meus pra dentro.

A minha verdade explicita-se

numa única palavra que nunca se cala em mim:

- espera.

- Espero.

Sou a eternidade de um verbo

habitando o tempo e o seu limiar.

Maria
Enviado por Maria em 26/07/2026
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