Há tanta beleza e mistério
nestas ondas generosas do tempo.
Há uma sinestesia delicada
quando o tempo deixa de ser abstração
e se torna palpável pelas mãos dos poemas.
Ganha cheiro,
voz,
presença.
Transforma-se em rara geografia interior,
misturando-se aos caminhos
das delicadezas do coração.
Sim,
as janelas continuam abertas.
Sim,
a luz do sol continua a tocar minha face
com seu amor
e sua ternura,
trazendo brandura e mansidão
ao relicário do peito,
território onde os sentimentos
permanecem latentes,
ninho e lar
da beleza,
do mistério
e do amor.