Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Mendigo Olhar

É densa a bruma

sobre os montes,

no longínquo costado

de um pensar noturno.

 

É forte o cordão

que percorre o junquilho de palavras,

adornando a procura

de um poema

que fale de amor

e saudade.

 

Nada se encontra.

 

Nem o verbete

que possa transformar-se

num riff

para a dança

da noite peluda

de sentimentos.

 

A porta do tempo

permanece aberta,

e as horas correm

em fuga desembalada,

para nunca mais

se deixarem encontrar.

 

Perdeu-se o tempo.

Esgueiro,

fugiu

para nunca mais voltar.

 

Olho a janela

do tempo profundo,

assim, assim...

de olhar mendigo,

clamante,

pedindo para entrar.

Maria
Enviado por Maria em 04/08/2026
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