É densa a bruma
sobre os montes,
no longínquo costado
de um pensar noturno.
É forte o cordão
que percorre o junquilho de palavras,
adornando a procura
de um poema
que fale de amor
e saudade.
Nada se encontra.
Nem o verbete
que possa transformar-se
num riff
para a dança
da noite peluda
de sentimentos.
A porta do tempo
permanece aberta,
e as horas correm
em fuga desembalada,
para nunca mais
se deixarem encontrar.
Perdeu-se o tempo.
Esgueiro,
fugiu
para nunca mais voltar.
Olho a janela
do tempo profundo,
assim, assim...
de olhar mendigo,
clamante,
pedindo para entrar.