Não sei mais se sonho
ou se me açodo de memórias
e delas eu seja a busca incessante.
Caminhei pelo passado,
envolto em mortalha
de longas distâncias.
É que o tempo calou a voz,
secou a fonte,
estancou a beleza das palavras
que tanto diziam.
Também me pergunto,
agoniante:
serei eu também
a fuga,
a sobra,
o resto,
as asas feridas
que jamais,
outra vez,
alçarão voo?