É que nossos olhos não veem o tempo passar. Mas ele passa, como um trem tresloucado de alegria engolindo o caminho. Vai comendo dormentes, vai abocanhando trilhos, curvas, enquanto o vento passa veloz ao lado da janela. É assim que nós seguimos. Achamos que estamos conquistando o tempo. Achamos que estamos alcançando o amanhã. Achamos que a eternidade escorrega pra dentro de nós a cada passo que damos. Mas, não percebemos que atrás de nós ficou a história desses passos, mas também o nada das horas comidas, devoradas, que nunca mais voltarão e nunca, jamais haverão de ser.