Talvez esse seja o verdadeiro cais, aquele que passa dentro do tempo, como um barco que atravessa o rio. Enquanto marulham as águas, o barqueiro não vê o caminho, apenas segue, olhos fixos na outra margem. Vai conquistando a estrada, mas perdendo rastros, deixando marcas que talvez nunca mais serão vistas, só lembradas. Não há um caminho adiante. No tempo ele precisa ser construído. Vamos cavando como uma toupeira gigante, adentrando a terra e fazendo túneis por onde passarmos. Atrás vamos deixando montanhas de pedras e cascalhos, mas também areia fina a ser levada pelo vento para onde ele quiser. Avançamos e perdemos o tempo. O amanhã nunca, jamais chegará.