Há algo ainda mais profundo a se pensar: o amanhã nunca chega. Quando ele chega, já deixou de ser amanhã e tornou-se presente. Portanto, talvez nossa vida seja essa travessia em direção a um lugar que, por definição, nunca pode ser alcançado. Tudo é movimento sem possibilidade de retorno. Não há um caminho adiante. No tempo ele precisa ser construído.
Essa é a condição humana: construir o próprio percurso enquanto avança. Não existe estrada pronta esperando por nós. Nós a fazemos - e, ao fazê-la, consumimos o tempo que temos para fazê-la.
É que o amanhã nunca, jamais chegará. Não falo de uma sentença filosófica. Falo que
o passado existe como memória, o presente existe como experiência, o futuro existe apenas como promessa. O amanhã, rigorosamente, nunca existe.
E isso torna ainda mais dolorosa a realidade: somamos um dia à nossa vida acreditando que ganhamos um dia, quando, na verdade, perdemos um dia do futuro que nunca chegará.