É disso que falo. É disso que quero dizer. É disso que preciso aprender. Tem um coração batendo aqui dentro do peito. Tem um coração. Ele carrega um sentimento não vivido, apenas sentido. Entregue em palavras, explicitado no poema que chora enquanto atravessa a noite em solidão. Não posso dizer que sou feliz amando, porque não posso tocar o amor. Não posso mais dizer que vou alcançar o ser amado, porque o tempo do futuro não me pertence e jamais alcanço o que há para memoriar no passado. Tempo e objeto de meu amor fogem, se escondem de mim. O tempo ruindo como um rio... As lágrimas que caíram e caem enquanto as horas ruíram e continusm a ruir. É inexplicável o que fica. Nada é meu, nem a voz que agora fala e já se perde ao vento, nem a palavra que quer nascer e se perde no tempo. É assim a vida. É aqui a vida, neste único e puro instante em que o pêndulo cruza o mesmo marco, cruza sobre si mesmo, quando não ousa se buscar. O que é o tempo, senão esse instante, invisível, imperceptível, onde tudo e nada acontece, e onde eu sou e não sou mais, e onde eu vou e me perco, e não acho o caminho do futuro que sonho alcançar.