Eu, um pequeno ponto fora da curva da vida... foi o que um dia me disseram. E como por isso chorei e briguei.
No entanto, hoje, o fora da curva me parece ser o lugar para onde tudo caminha: a curva da vida, como percurso e o pequeno ponto que parece estar fora dela - alguém que, por um instante, para de correr na direção prevista e olha para o próprio movimento.
Mas, esse “fora da curva” não está perdido. De forma sutil, ao me aceitar ali, passei a estar consciente de minha própria passagem.
A curva continua a existir. O pêndulo de Foucault continua a balouçar. O futuro continua sendo perseguido. O passado continua crescendo atrás de mim. O futuro continua diminuindo e inalcançável. E eu estou ali, presente naquele ponto mínimo em que percebo tudo isso e nada posso fazer para mudar.
Talvez por este motivo, me ver um “pequeno ponto” seja essencial. Não sou o ser humano dominando o tempo. Sou justamente o contrário: um pequeno ponto, quase imperceptível, dentro de uma curva imensa que não lhe pertence.
Talvez aqui, em meio à tragédia existencial, resida uma certa beleza paradoxal: se esse ponto está fora da curva, talvez seja justamente porque, por um instante, ele conseguiu parar de seguir o desenho que o tempo parecia impor.
É quando me dou conta de que não estou mais perguntando apenas “o que é o tempo?”. Estou perguntando: como existir quando sabemos que somos apenas um instante? E talvez a resposta não seja voltar para a curva. Talvez seja sentir e viver o ponto enquanto ele ainda existe.