A curva da vida muda a perspectiva do tempo. Seguia-se por uma linha que nos leva adiante. Por aqui dizem: segue reto toda vida! No entanto, a curva introduz outra ideia - não avançamos em linha reta. Voltamos, desviamos, subimos, caímos, reencontramos marcas antigas. E há uma coisa ainda mais interessante para se pensar: uma curva pode parecer voltar sobre si mesma, mas nunca é exatamente o mesmo ponto. Como o pêndulo de Foucault que em seu incansável balouçar cruza sobre si mesmo. O passado pode parecer retornar - uma lembrança, um amor, uma dor, uma voz -, mas nós já somos outros. A Curva da vida também me faz voltar à pergunta sobre o presente. Talvez a vida não seja a conquista de um futuro em linha reta, mas sim essa curva contínua em que cada instante se torna memória no próprio momento em que acontece. E eu acho que há uma certa delicadeza no pensar sobre a curva da vida que a pergunta o que é o tempo? não tem. O primeiro é mais poético, o segundo é mais filosófico. Curva da vida deixa a pergunta escondida dentro do pensar. O que é o tempo nos faz dentro dele próprio mergulhar.