Conheço a estiagem
de necessidades,
a escassez de um olho d'água
e a ausência de rios e igarapés
nos meandros da alma...
também já andei rumos
sem margens,
perambulando securas
e apagando caminhos
e horizontes..
Conheço o vértice
dos temporais,
a agonia e a loucura
de uma tempestade,
um redemoinho do tempo...
por isso meu olhar de chuva,
olhar de fresta, espiando o mundo
arisca e timidamente...
nada é irrelevante,
nada é um chuviscar ameno,
parado ou lento...
tudo é intenso,
imenso, profundo e forte...
como a fúria do vento...