E no passadiço do dia,
sigo, perdulária,
as horas do tempo.
Não sei perdê-las,
nem acrescentá-las,
mas, de sempre, tudo perco
em favor da soma dos dias
que me fazem ganhar velhices
e perder juventudes.
Pra que foram
criar o relógio?
Pra quê?
Sem ele,
não haveria como saber
que o tempo passa,
enquanto
aquele barulho infernal
dos tique-taques
quebra a nostalgia
e o ócio do dia.
Agora, queria perder
a contagem do tempo
e viver de sem horas,
sem relógios, sem saudades
que se somam às angústias
deste louco passar.
Queria apenas
o tempo sem medida,
correndo solto e sozinho,
sem a obrigação
de me lembrar que passa
e me leva junto com ele
a um passado
sem futuro de chegar.