Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Poetisa Triste

Ouça o canto do pássaro na gaiola.

Ele chora a tristeza da não liberdade,

enquanto seu canto triste e melodioso

embevece a alma que o ouve com ardor.

Não entendemos o canto do passarinho,

nem se doem suas asas fechadas para o voo...

Encantados nos quedamos ao seu gorjeio,

enquanto ele espia por entre as grades da gaiola

com seu olhar longíncuo, triste e penetrante...

 

Seu canto é procurado e adorado -

embora só privilegiados o entendam -

comentam ser raro e extraordinário...

fantástico, inusitado e sobrenatural.

Que revive a voz de aves que já partiram:

os pássaros canoros da realeza,

que cantavam ao sabor dos calabouços,

comendo migalhas nas senzalas da antiguidade.

 

Ainda ouves o canto triste dessa ave?

Se encanta tua alma pelo gorjeio?

Alegra-te o sofrimento dos grilhões,

que prendem as asas do rouxinol cantador?

És um refém da ave aprisionada?

Quedaste tua alma à dor dilacerante,

sussurrada na melodia da terra-floresta,

ouvindo o cantar da ave amordaçada

pelos cordões da tua indiferença e desamor.

 

Como poeta triste, assim canta o passarinho...

maravilhando enquanto chora sofredor,

a dor que lhe toma a alma - o interior...

E o saúdam com coroas de flores sem saber,

que em suas asas cravaram-se doloridos espinhos,

atirados por entre as grades da prisão...

travando para sempre seu voo para o infinito,

onde seu canto seria sempre um hino à alegria,

e o rufar de asas uma bandeira à esperança,

um estandarte, espalhando ternura e amor...

 

Sobre ser uma Poetisa Triste, título que me aferiram no passado.

Maria
Enviado por Maria em 02/09/2026
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