Maria
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A Alma Sabe

Quando o infinito acontece,

a alma sabe.

 

Não é conhecimento que venha dos livros,

nem certeza que se explique pela razão.

A alma sabe.

 

E quando, em meio à tempestade do tempo

e aos descaminhos do destino,

ela encontra a si própria,

reconhece-se.

 

Reconhece-se em seus ais,

em seus sonhos,

em suas perguntas,

e também nas sem respostas.

 

Há um instante -

breve e eterno -

em que tudo parece alinhar-se:

as ausências e as presenças,

as esperas e os encontros,

as dores e as delicadezas.

 

É nesse instante

que o infinito desperta.

 

E acorda dentro do peito,

como luz antiga,

como lembrança de algo

que sempre esteve ali.

 

Depois, adormece,

não porque se extinga,

mas porque repousa,

cristalizado no coração

como um sonho que não se quebra.

 

E a alma, então, guarda esse segredo:

há coisas que o tempo não mede,

que o destino não governa

e que as palavras não alcançam.

 

Existem reconhecimentos

que não pertencem ao relógio,

às datas ou às explicações.

Pertencem a esse lugar

silencioso e profundo

onde a alma diz, baixinho:

“eu conheço isto;

eu conheço este sentir".

 

Porque, quando o infinito acontece,

a alma simplesmente sabe.

 

 

Maria
Enviado por Maria em 25/09/2026
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