Quando o infinito acontece,
a alma sabe.
Não é conhecimento que venha dos livros,
nem certeza que se explique pela razão.
A alma sabe.
E quando, em meio à tempestade do tempo
e aos descaminhos do destino,
ela encontra a si própria,
reconhece-se.
Reconhece-se em seus ais,
em seus sonhos,
em suas perguntas,
e também nas sem respostas.
Há um instante -
breve e eterno -
em que tudo parece alinhar-se:
as ausências e as presenças,
as esperas e os encontros,
as dores e as delicadezas.
É nesse instante
que o infinito desperta.
E acorda dentro do peito,
como luz antiga,
como lembrança de algo
que sempre esteve ali.
Depois, adormece,
não porque se extinga,
mas porque repousa,
cristalizado no coração
como um sonho que não se quebra.
E a alma, então, guarda esse segredo:
há coisas que o tempo não mede,
que o destino não governa
e que as palavras não alcançam.
Existem reconhecimentos
que não pertencem ao relógio,
às datas ou às explicações.
Pertencem a esse lugar
silencioso e profundo
onde a alma diz, baixinho:
“eu conheço isto;
eu conheço este sentir".
Porque, quando o infinito acontece,
a alma simplesmente sabe.