Maria
Prosa e Poesia
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Textos

Poema de Primeira Página

Há algo de místico

e de profundamente humano

nas palavras ditadas pelo coração.

 

Como se a alma,

atravessando as tempestades do tempo,

reconhecesse um eco de si mesma

em algo ou alguém

e o refletisse

no espelho de seus pra dentro.

 

Cada palavra segue a linguagem,

a cor,

a música.

 

Acompanha o ritmo

que já nasceu na alma da Poetisa

e, ao nascer,

encontra seu próprio destino:

fazer-se palavra,

fazer-se poema,

fazer-se memória.

 

E assim,

sem que se saiba exatamente quando,

aquilo que era apenas um sentir

ganha corpo,

ganha voz,

ganha silêncio.

 

A alma escreve

e o poema acontece.

 

Primeiro dentro.

Depois no papel.

Depois no tempo.

 

Quem sabe seja esse

o pequeno milagre da poesia:

aquilo que um dia

foi apenas um movimento secreto

no fundo de uma alma

pode atravessar os anos

e encontrar outra alma

que ainda não sabe seu nome.

 

Então o poema deixa de pertencer

àquela que o escreveu.

Torna-se caminho.

Torna-se espelho.

Torna-se eternidade.

 

E é assim que nasce

um poema de primeira página:

não quando a Poetisa escreve a primeira palavra,

mas quando a alma, finalmente,

reconhece que já havia escrito tudo

muito antes de dizê-lo.

Maria
Enviado por Maria em 26/09/2026
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