Olho tuas sombras plantadas em mim.
Silenciosas, exuberantes e belas,
se acolhem entre um sopro e outro
de meu reflexivo respirar...
Como as notas inesquecíveis
que fluem das mãos sem piano
no sótão da casa vazia...
e depois vagam pela sala
entremeada de luz,
sentidas e refletidas no olhar
que contempla os dedos mágicos
e sem partitura...
Amo-te assim:
como as últimas gotas
de chuva do inverno,
desnudando a primavera
adormecida
sob o tapete de folhas mortas...