Toque para mim um riff antigo -
desses que cravam fundo na alma
e não abandonam os sentidos
quando raiar a manhã.
Rasgue as cordas da guitarra
com a força da alma
triscada de amor e dor.
Guarde o silêncio
enquanto as notas passeiam
em meus pra dentro,
e meu corpo dança
como a folha melaça
decídua no chão -
observe.
Peça ao mundo
que toque para mim
um riff de alma antiga
numa guitarra triste -
que suporte nosso niilismo
e solidão à dois.
Toque para mim,
toque.
Toque um oboé,
um violoncelo e, depois
entre com um piano clássico -
daqueles que a gente
nunca esquece -
mergulhando fundo
em meus abismos e precipícios
como se fosses o Sol
surgindo no céu de névoa
de minhas manhãs.