Ando à cata de palavras,
de uma voz que me toque
em lugares tão meus,
na intimidade do coração,
na singularidade dos sentidos
e das buscas interiores
que só uma alma ancestral
pode compreender.
Há tanto em mim
que ainda não sei dizer -
não encontro a palavra certa.
Talvez ela ainda não exista
e só se desenhe em mim.
Ando à cada de palavras
que sejam do tamanho
da vastidão do mundo
ou da folha que nos cabe,
do rio que nos atravessa
ao saltar dos olhos
em nossa janela
do tempo profundo.
Ando à cata de palavras....
que me transformem em um poema
a descer em estrondosa cachoeira
do canto dos cílios
antes que chegue o Amanhã...