É disso que falo, desse amor que - mesmo na distância, na ausência - ultrapassa a presença física e encontra na linguagem, na palavra escrita uma forma de permanência, um jeito de se eternizar no poema. A geografia afetiva que se desenha em metáforas e diálogos infindos na janela do tempo profundo, constrói esse território onde a distância deixa de ser medida em quilômetros e passa a ser atravessada e vivida pelo sentimento. Sim, também reconheço o que não aconteceu, aquilo que inquieta, mas jamais renunciarei à possibilidade de sonhar, jamais abandonarei o vestir das sandalhas que caminham em busca da eterna fusão de identidades. O amor é nosso espelho, nosso universo compartilhado, o sentimento que só cabe à nós que sabemos: nosso lugar no mundo é o lugar onde habita o meu/teu coração.